audição | cadernos de
um agradecimento
O pior de tudo é dizer não, também porque senti que as cartas que me escreveram foram, de uma forma ou outra, mundos possíveis. Imaginei Cadernos de possíveis, com as vossas caras, os vossos corpos e os vossos ombros.
As vossas cartas mostraram-me coisas que eu não tinha visto, e ler-vos foi, de alguma forma, imaginar futuros possíveis do projecto, imaginar os Cadernos de nos vossos corpos todos, e isso é uma forma de começar.
Ao ler-vos, começou qualquer coisa que ainda não tinha começado.
Como é que depois da coça toda que o mundo dá no meio das coisas boas, como é que nós ainda encontramos espaços para confiar, para ser generosas, para escrever, colocar hipóteses, pensamentos? Como é que o mesmo mundo em que escreve a 11 de Dezembro de 2005 Ontem foi tão mau. ou no dia 27 de Junho de 1991 Chorei muito, muito, muito, muinto….; como é que este é o mesmo mundo em que tantas pessoas escrevem cartas lúcidas e confusas e caóticas e formais e simpáticas e honestas e parvas e curtíssimas e enormes como as vossas a uma pessoa que não conhecem?
Não sei bem o que fazer disto tudo, mas posso dizer que as vossas cartas fazem parte do projecto, para mim.
No dia 16 de Janeiro de 1995, escreveu
sinto só vontade de me enroscar nos ombros das pessoas nos autocarros m/ nunca cedo.
Obrigada a todas pelas coisas que me deram. São ombros.
[DESCULPEM, não consegui mesmo resistir ao ganchinho literário, estava mesmo aqui!]
Raquel S.
As vossas cartas mostraram-me coisas que eu não tinha visto, e ler-vos foi, de alguma forma, imaginar futuros possíveis do projecto, imaginar os Cadernos de nos vossos corpos todos, e isso é uma forma de começar.
Ao ler-vos, começou qualquer coisa que ainda não tinha começado.
Como é que depois da coça toda que o mundo dá no meio das coisas boas, como é que nós ainda encontramos espaços para confiar, para ser generosas, para escrever, colocar hipóteses, pensamentos? Como é que o mesmo mundo em que escreve a 11 de Dezembro de 2005 Ontem foi tão mau. ou no dia 27 de Junho de 1991 Chorei muito, muito, muito, muinto….; como é que este é o mesmo mundo em que tantas pessoas escrevem cartas lúcidas e confusas e caóticas e formais e simpáticas e honestas e parvas e curtíssimas e enormes como as vossas a uma pessoa que não conhecem?
Não sei bem o que fazer disto tudo, mas posso dizer que as vossas cartas fazem parte do projecto, para mim.
No dia 16 de Janeiro de 1995, escreveu
sinto só vontade de me enroscar nos ombros das pessoas nos autocarros m/ nunca cedo.
Obrigada a todas pelas coisas que me deram. São ombros.
[DESCULPEM, não consegui mesmo resistir ao ganchinho literário, estava mesmo aqui!]
Raquel S.